Genética da pelagem nos cães: Por que razão algumas raças têm pelo comprido e outras são nuas?

As diferentes raças de cães apresentam uma imensa variedade de pelagens. Desde o pelo muito comprido até serem nus, tudo depende da sua genética.

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Genética del pelaje en perros: ¿Por qué algunas razas tienen pelo largo y otras están desnudas?

As diferentes raças de cães apresentam uma imensa variedade de pelagens. Desde o pelo muito comprido até serem nus, tudo depende da sua genética.

Existem muitas formas de os cães terem um pelo característico que os identifique.

Por exemplo, alguma vez se questionou por que razão algumas raças de cães têm o pelo mais comprido do que outras?

Existem muitas razões, claro. Porque são raças de ambientes frios, porque lhes serve para caçar ou lutar, porque não quer que a sua prima, com alergia aos animais, venha a sua casa…

Mas se tivéssemos de resumir tudo numa única ideia seria porque a genética assim o dita.

Raças de cães com pelo comprido e a sua genética

Se falarmos das raças de cães com pelo comprido, provavelmente pensamos no galgo afegão. A sua pelagem mede entre 30 e 45 centímetros, com zonas onde pode ser ainda mais comprida, como as patas e a cauda.

Também é verdade que é uma raça de cão bastante alta. Os machos atingem os 70 centímetros de altura sem problemas.

No entanto, se o fizéssemos em proporção ao tamanho, talvez a vitória fosse para outra raça de cão, o Shih Tzu. Este pequeno que mal atinge por vezes os 30 centímetros de altura pode ter uma pelagem de 20 a 25 centímetros no corpo.

Semelhante juba é usada apenas por alguns cães, já que os donos optam por cortá-la. A raça Shih Tzu tem um pelo denso e que requer cuidados regulares, e deixá-lo sem aparar resultaria em problemas.

Outra raça digna de menção é o Komondor. O seu pelo atinge os 20 – 27 centímetros de comprimento, mas é a pelagem mais pesada de entre todos os cães. É a vencedora na lista de raças de cães com muita pelagem.

Tendo em conta que os machos dessa raça pesam entre 50 e 60 quilos, também não é uma surpresa muito grande.

As raças de cães sem pelo

Por outro lado, temos raças que são precisamente o oposto. São raças que carecem praticamente de pelagem.

De entre estas raças, talvez a mais destacável seja o Xoloitzcuintle. Embora algumas das raças de cães mais únicas sejam “recentes”, o xoloitzcuintle ou xolo é um cão com mais de 3.000 anos de história.

A sua genética é interessante. Têm um fenótipo de displasia ectodérmica, com uma herança monogénica autossómica semidominante.

Ou seja, um único gene, que se encontra num cromossoma não sexual, é o responsável pela ausência de pelo. A dominância não é completa, é parcial, por isso esta raça de cão conserva algum pelo na cabeça e na cauda.

A responsável é a variante Hr no gene FOXI3.

Curiosidade: esta variante genética também afeta os dentes. Por isso a raça de cão xolo pode apresentar uma dentição incompleta, que não afeta a sua qualidade de vida.

Se o animal for heterozigótico, uma cópia sem pelo e outra com pelo, não terá pelo. Se ambas as cópias forem com pelo, terá pelo. E se ambas as cópias forem sem pelo, não atinge a gestação, porque necessita de pelo menos uma de pelo para se poder desenvolver.

Num cruzamento de dois xolos sem pelo, estatisticamente uma em cada quatro crias teria pelo de forma normal.

Outra raça pré-colombiana é o Cão sem pelo do Peru ou Viringo Peruano. Partilha um antepassado com o seu primo mexicano, e a causa genética é também o locus Hr. No entanto, estas duas raças separaram-se há centenas de anos, pelo que as mutações que apresentam são diferentes.

Para terminar esta lista de cães nus naturais, mencionaremos o Cão de Crista Chinês. A razão genética volta a ser o gene FOXI3, e a ausência de pelo volta a ser a característica dominante.

É interessante que a raça de cão sem pelo surgida na China tenha a mutação no mesmo gene que as americanas pré-colombianas.

Algumas teorias consideram que todas estas raças provêm de uma versão comum de cão sem pelo africano, que chegou a ambas as regiões há milhares de anos e foi evoluindo de forma divergente posteriormente. Explicaria que partilhem o mesmo gene.

Outras acreditam que foi simples acaso que a mutação, ao não ser prejudicial na forma heterozigótica, surgisse. Explicaria que sejam mutações diferentes no mesmo gene.

Se formos à parte de cima do continente americano, e nos situarmos mais perto do presente, temos o Terrier Americano sem pelo.

A sua história é muito mais simples. Provém de uma fêmea de Terrier Rateiro Americano sem pelo. Algumas das suas crias também não tinham pelo, e começaram a cruzar-se entre si para cimentar a raça.

Ao contrário dos outros, neste caso o gene responsável é o SGK3. Outra diferença em relação aos anteriores é que a mutação responsável é recessiva: o animal necessita de ter as duas variantes sem pelo para estar completamente depilado.

Por isso, neste caso, falaríamos de uma raça completamente artificial, criada mediante cruzamentos modernos para ser o animal atual.

A genética no pelo dos cães

Dentro da genética dos cães com pelagem normal, o gene FGF5 foi associado ao fenótipo do pelo comprido em múltiplas espécies de mamíferos. Entre as quais se inclui o cão.

Este gene, cujo nome real é Fator de Crescimento de Fibroblastos 5, codifica uma proteína que participa no crescimento do pelo e na sua regulação. Em adultos, é a única função que lhe é conhecida.

E nessa função é básico.

Por isso, quando há mutações no gene que o desativam, ou não o deixam trabalhar de forma correta, os animais têm o pelo mais comprido do que os seus homólogos normais.

Estas mutações são na sua grande maioria recessivas, pelo que o cão necessita de duas cópias para ter uma juba impressionante.

Parece que estas mutações que causam pelo comprido não têm qualquer outro efeito negativo ou prejudicial para o animal. Inclusive realizaram-se estudos focados em bloquear a expressão deste gene como tratamento contra a calvície.

Existem outros genes muito conhecidos em relação à pelagem dos cães, que a modificam de formas distintas do seu comprimento.

O gene KRT71 codifica uma proteína queratina de tipo II. Algumas mutações causam pelo encaracolado tanto em cães como em gatos, sendo a mais representativa a raça de gatos Devon Rex.

Por comentar um último gene curioso, temos o gene RSPO2. Este gene é um ativador da via Wnt/β-catenina, uma via de sinalização celular de muitíssima importância. Participa em múltiplos processos celulares e do desenvolvimento embrionário.

Além disso, tem uma mutação que produz pelos mais compridos e definidos que se encontram na cara, como o bigode, a barba e as sobrancelhas. É uma variante dominante e podemos encontrá-la, por exemplo, nos Schnauzers.

Existem muitas variantes genéticas no pelo do cão. Cada uma delas contribui com a sua influência na pelagem final.

A manutenção e o cuidado do pelo comprido em cães é diferente segundo a raça, e deve ser tido em conta.

O teste genético para animais de estimação da Koko Genetics irá mostrar-lhe as variantes genéticas que fazem com que o seu cão tenha o pelo comprido.