Se tens um Border Collie, saberás que ele não consegue evitar tentar "agrupar" as crianças no parque. Se tens um Golden Retriever, provavelmente a sua vida gira em torno de uma bola de ténis. Mas, será que se trata de uma escolha pessoal do teu cão ou é algo que está escrito nos seus genes há séculos?
A ciência por trás do instinto: Nascem ou fazem-se?
A resposta curta é: está no seu DNA, mas com nuances. Ao contrário dos humanos, os cães passaram por um processo de seleção artificial intensiva durante milhares de anos. Não selecionamos os cães apenas pelo seu aspeto físico (tamanho, cor ou pelagem), mas principalmente pela sua funcionalidade.
Comportamentos fixos por seleção genética
Ao longo da história, os criadores selecionaram os exemplares que mostravam maior predisposição para tarefas específicas.
O instinto de pastoreio: Em raças como o Pastor Australiano, o impulso de espreitar e dirigir o movimento é uma versão modificada do instinto de caça do lobo, onde se eliminou a parte de "atacar e matar".
- O cobro (ir buscar a bola): Os Labradores e Spaniels foram selecionados para recuperar presas sem as magoar (a famosa "boca macia"). Para eles, ir buscar a bola não é um jogo, mas sim um comportamento que reflete a combinação de genética e treino humano.
Como os cães herdam os traços genéticos
Para entender isto, devemos olhar para a forma como os cães herdam os traços genéticos. Não se trata de um único "gene da bola", mas sim de grupos complexos de genes que influenciam os níveis de dopamina, a sensibilidade aos estímulos visuais e a estrutura física do animal.
A seleção genética fez com que certos comportamentos tivessem um "limiar de ativação" muito baixo. Isto significa que um cão pastor não precisa que o ensinem a pastorear; só precisa de ver algo em movimento para que o seu cérebro ative o comando guardado no seu DNA.
Genética vs. Educação: O papel da aprendizagem
É vital diferenciar entre o instinto herdado e a educação. Embora a genética lance as fundações, o ambiente e o treino constroem a casa.
- A Genética (Instinto): É o "hardware". Determina que atividades serão naturalmente gratificantes para o teu cão. Um Beagle terá sempre uma inclinação natural para seguir um rasto de odor porque o seu cérebro liberta endorfinas ao fazê-lo.
- A Educação (Aprendizagem): É o "software". É o que permite canalizar esse instinto. Podes ter um cão com um instinto de cobro altíssimo, mas se não for educado, em vez de te trazer a bola, poderá dedicar-se a "cobrar" (e destruir) os teus sapatos.
A educação não pode apagar o DNA. Tentar que um Husky ignore um rasto ou que um Galgo não corra atrás de algo pequeno é ir contra a sua natureza biológica. O sucesso reside em trabalhar com a sua genética, e não contra ela.
Por que é importante conhecer o DNA do teu cão?
Entender que certos comportamentos são biológicos ajuda os donos a serem mais empáticos. Se o teu cão "pastoreia" as crianças, não é que seja "mau" ou "desobediente", é que o seu cérebro interpreta que essa é a sua função no mundo.
Na Koko Genetics, acreditamos que a genética pode ser a chave para uma convivência mais harmoniosa. Ao conhecer as raças identificadas no teu cão, podemos entender melhor as suas tendências naturais e oferecer-lhes o tipo de estimulação que melhor se adapta ao seu perfil genético, reduzindo o stress e os problemas de comportamento.
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