Os dálmatas nascem completamente brancos, mas as suas manchas aparecem semanas depois devido à interação dos genes Roaning e Flecking. Esta mesma genética está ligada a riscos de surdez e problemas urinários, pelo que um teste de ADN é vital para a prevenção da sua saúde.
Se pensar no filme 101 Dálmatas, provavelmente visualiza uma ninhada de filhotes cheios de manchas pretas. No entanto, a Disney tomou uma pequena licença artística. A realidade biológica é surpreendente: os cães dálmatas nascem com manchas… invisíveis, ou melhor, nascem completamente brancos.
Hoje resolvemos uma das dúvidas mais procuradas: por que um filhote de dálmata que nasce sem manchas acaba por se tornar no ícone que todos conhecemos?
Por que o filhote de dálmata nasce sem manchas?
Quando um dálmata nasce, é tão branco como a neve. Se observar a pele de um dálmata sem manchas recém-nascido, ela parece rosada e a pelagem imaculada.
Isto ocorre devido a uma interação genética fascinante. Todos os dálmatas têm, geneticamente, uma pelagem base (geralmente preta ou marrom). No entanto, possuem um gene chamado Piebald extremo (sw). Este gene atua como um «lençol branco» que cobre toda a cor de base do cão.
Então, por que os dálmatas têm manchas? Suspeitava-se que o responsável pelas manchas fosse o gene Ticking, no entanto, nos últimos anos foi proposta uma nova hipótese:
- O gene roaning (Ruão): Surpreendentemente, todos os dálmatas carregam o gene dominante do padrão ruão (R). Normalmente, este gene criaria uma mistura difusa de pelos escuros e brancos, não manchas definidas.
- O gene do flecking (Moteado): Aqui está a chave. O dálmata possui uma interação única onde o gene ruão (R) se combina com o alelo recessivo do flecking (f). Esta combinação específica «modifica» o padrão ruão: em vez de deixar que os pelos de cor se misturem difusamente com os brancos, faz com que o pigmento se agrupe em manchas redondas e definidas.
Quando aparecem as manchas nos dálmatas?
Se tem uma ninhada, a impaciência é natural. Não verá nada nos primeiros dias:
- Ao nascer: Brancos puros.
- 10 – 14 dias: Começam a aparecer sombras pigmentadas na pele, debaixo do pelo.
- 3 – 4 semanas: As manchas começam a ser visíveis na pelagem.
- 3 – 18 meses: Continuam a aparecer novas manchas e a crescer em tamanho.
É um processo dinâmico. Um filhote de dálmata sem manchas aparentes pode acabar por ser um adulto muito moteado dependendo da potência dos seus genes.
Quantas manchas tem um dálmata?
Não há um número exato, já que cada cão é uma impressão digital única.
Mas nem todas são pretas. Existe o dálmata com manchas marrons (conhecido como cor «fígado»). Esta cor é recessiva. Para que um filhote tenha manchas marrons, ambos os pais devem portar o gene dessa cor na sua linhagem familiar, mesmo que eles próprios tenham manchas pretas. Conhecer a ascendência do seu cão é fundamental para prever estas cores «surpresa».
Para além da estética, doenças genéticas em dálmatas
A beleza do dálmata tem um preço genético. O mesmo gene que causa o seu padrão de cor extremo (Piebald) está ligado a certas condições de saúde. É aqui que a ciência deixa de ser uma curiosidade e se torna em prevenção vital.
No mundo veterinário anglo-saxão, estudam-se muito as doenças genéticas do dálmata, e existem duas principais que todo dono deve conhecer:
- Surdez: Aproximadamente 8% dos dálmatas nascem surdos de ambos os ouvidos e até 20% de apenas um. Isto deve-se à falta de melanócitos (células de pigmento) no ouvido interno, causada pelo gene da pelagem branca extrema.
- Problemas urinários: Os dálmatas têm uma mutação única que afeta o metabolismo do ácido úrico, tornando-os propensos a formar cálculos.
A importância do teste de saúde nos dálmatas
Saber se o seu cão é portador de genes recessivos ou se tem predisposição à hiperuricosúria não é apenas informativo, pode salvar-lhe a vida ajustando a sua dieta desde filhote.
Na Koko Genetics, o nosso teste de ADN para cães Advanced não só lhe dirá a composição de raças, mas também analisará mais de 150 temas relacionados com a sua saúde.
Os dálmatas são a prova viva de que a genética é uma arte complexa. Nascem como telas em branco e, pouco a pouco, o seu ADN pinta a sua história. Quer tenha um dálmata de exposição ou um cruzamento adorável, conhecer o que esconde a sua genética é o melhor presente que lhe pode dar para garantir o seu bem-estar.
Tem um cão com manchas e não tem certeza se tem mistura de dálmata? Descubra as suas origens.
