As garras dos gatos escondem muitos truques e segredos, após milhares de anos de adaptação ao ambiente e aos costumes desta espécie.
Existem muitas diferenças entre cães e gatos. Muitas.
Fisicamente, uma das mais notáveis são as garras e as suas unhas. Porque as patas dos gatos em particular, e dos felinos em geral, são uma autêntica maravilha da engenharia natural.
O seu traço mais marcante é a retratilidade. É algo comum na maioria dos felinos.
As garras de gato retráteis
Quando a pata está relaxada, as garras mantêm-se a uma altura acima do solo, sem lhe tocar. Não entram dentro do corpo, mas a pelagem tapa-as.
Quando precisam de as usar, utilizam os seus tendões para fazer com que as garras emerjam.
A razão evolutiva é a forma de caçar. Os felinos costumam caçar individualmente, com exceções como os leões, pelo que apostam numa corrida rápida e em agarrar a sua presa. Não podem deixar que fuja, precisam de umas garras afiadas, curvas e grandes.
Mas se não as pudessem retrair, as garras teriam dois problemas:
- Primeiro, a sua exposição constante ao ambiente iria danificá-las.
- Segundo, imagine o seu gato a caminhar pelos azulejos, apoiando-se nas garras. Seria complicado manter a discrição quando os seus pés estão a fazer uma dança de sapateado.
Nos cães, provenientes do lobo, a caça era social e estava focada em esgotar a sua vítima. Podia dar-se ao luxo de que esta se soltasse, porque tinha o resto da matilha a persegui-la também. As suas unhas, mais duras e rombas, permitem uma boa tração com o solo numa corrida constante e contínua.
Por isso, verá cães a escavar no chão, mas raramente verá um gato a fazê-lo. As garras dos gatos são demasiado valiosas para as desgastar a cuscar.
Precisamente um dos felinos que não tem unhas retráteis é a chita, devido ao seu método de caça. As chitas usam as garras enquanto correm, para as ajudar a atingir maiores velocidades, fazendo com que as suas patas sejam semelhantes às de um cão nesse aspeto.
As garras são tão importantes que os gatos fazem-lhes manutenção periódica.
Quando vir um felino a arranhar algo, desde uma árvore até aos seus móveis (e se tiver especial azar, as cortinas) é por três razões principais:
- Ajuda-os a afiar as suas garras ou a remover restos das mesmas, incluindo camadas sobrantes da própria unha.
- Estão a marcar o território. Não só visualmente, as patas deixam um rasto de feromonas que outros animais podem reconhecer. Os gatos têm pequenas glândulas nas suas patas para deixar registo, quando arranham algo, de que estiveram lá.
- Ajuda-os a libertar o stress e a relaxar. É a sua versão de ir ao ginásio.
As patas, incluindo as garras, dos gatos são muito sensíveis. As próprias garras têm um núcleo de vasos sanguíneos e nervos para reconhecerem o que arranham e permitirem o seu crescimento.
Ao mesmo tempo, isso coloca-as em risco. Qualquer dano na garra que atinja este núcleo é muito doloroso e sangra. Por isso, é preciso ter muito cuidado ao cortar as unhas aos gatos, para não o atingir.
Existe um processo chamado oniquectomia ou desungulação. Resumindo, retiram-se as garras a um gato. Mas dado que as garras se desenvolvem a partir do osso, é necessário eliminar parte do tecido ósseo da pata.
É um processo que altera enormemente a vida do gato. Independentemente dos problemas de saúde que acarreta, produz problemas para se moverem, impede-os de arranhar coisas, modifica o seu comportamento e causa um forte stress.
Somos contra essa prática, e existem melhores alternativas tanto para o animal como para a pessoa.
Os gatos têm as suas próprias “impressões digitais”
As suas patas reconhecem texturas, temperatura e até vibrações. Tal como as nossas mãos.
Tão parecidas nalguns aspetos que até têm impressões digitais!
As almofadas que têm nas suas patas possuem marcas únicas para cada gato que permitem reconhecê-los e identificá-los entre si.
Embora de momento nenhuma organização se tenha dedicado a criar uma ficha policial dos gatos.
E sendo gatos, de certeza que encontrariam formas de nos enganar mesmo que conseguíssemos fazê-lo. O subterfúgio é o seu campo de experimentação favorito e constante.
As pessoas centram-se no cuidado das unhas, mas as almofadas também podem ser um problema nas patas dos gatos.
São a parte que se mantém mais tempo em contacto com o chão. Devem ser protegidas, no inverno do frio e do gelo (e em algumas regiões, do sal que se utiliza para evitar as geadas nas ruas). No verão, das superfícies quentes como o asfalto que podem provocar queimaduras.
Também se recomenda verificar se não apresentam secura (pode ser resolvido facilmente com cremes hidratantes) nem infeções bacterianas ou fúngicas.
Talvez o detalhe mais inesperado seja que as patas dos gatos têm um número diferente de dedos.
Os gatos e a polidactilia
As patas dianteiras têm 5 dedos, e as traseiras 4, fazendo com que os gatos tenham no total 18 dedos.
18 possíveis maneiras de lhe fazerem um arranhão.
Faz sentido que as patas dianteiras tenham mais dedos do que as traseiras. As patas dianteiras são as suas “mãos”. São as que utilizam para atacar e defender-se, e para interagirem principalmente com o seu ambiente.
Ter uma maior quantidade de dedos permite-lhes aumentar as possíveis interações que realizam.
No entanto, se o seu gato tiver 6 dedos nas patas dianteiras, também não significa que tenha o passo seguinte da evolução felina a viver consigo. O que acontece é que o seu gato tem polidactilia.
A polidactilia é a presença de dedos adicionais num gato, independentemente da pata em que surja. É um traço genético e costuma ser hereditário, aparentemente dominante. Se um dos progenitores tiver seis dedos, a probabilidade de cada cria os ter também é de 50%, no mínimo.
Se o progenitor tiver os dois alelos para a polidactilia, as crias vão nascer sempre assim.
Inclusivamente realizam-se cruzamentos intencionais entre gatos com esta característica para obter crias polidáctilas.
Suspeita-se que o recorde pertença a um gato precisamente proveniente destes cruzamentos. Mickey era um gato proveniente de uma ninhada com polidactilia que tinha 32 dedos. Registado entre os recordes do Guinness temos Jake, um gato canadiano com 28.
As patas dianteiras são mais propensas a sofrer de polidactilia do que as traseiras. Apenas em 10% dos casos são as patas de trás que têm o dedo adicional.
Nalgumas raças é mais frequente do que noutras. A polidactilia é mais habitual em raças como o Maine coon ou o gato dos bosques da Noruega.
Se formos por regiões, são mais frequentes nas populações felinas da América do Norte e no Reino Unido. Os genes responsáveis não se popularizaram tanto noutros países do mundo.
Não é algo com que se deva preocupar. Salvo algumas exceções, onde o crescimento do dedo segue um padrão irregular e choca com o resto (como um dente a crescer torto), não representa qualquer problema nem risco para a saúde.
Não foi comprovado que a polidactilia tenha correlação com nenhuma patologia nem uma predisposição para desenvolver outras doenças genéticas em gatos. O que se verificou que serve para encontrar correlações é o seu genoma. Por isso, recomendamos o teste de ADN para gatos da Koko para poder comprovar a saúde do seu animal de estimação.
